O impacto da maresia na durabilidade de esquadrias em áreas litorâneas

Imagine que você acabou de se mudar para aquele apartamento de frente para o mar, com a varanda que sempre sonhou. Três meses depois, a alegria começa a ser substituída pelo desconforto de notar manchas esbranquiçadas, barulhos metálicos estranhos ao abrir a janela e uma dificuldade crescente em trancar as portas de alumínio. O que parece um simples descuido estético é, na verdade, uma batalha silenciosa travada pela umidade e pelos sais transportados pelo vento, que transformam componentes metálicos em alvos de oxidação acelerada.

A maresia não é apenas um incômodo visual; ela atua como um agente químico agressivo que corrói camadas protetoras de metais e polímeros. Quando escolhemos esquadrias, é comum focarmos apenas no design ou no isolamento acústico, negligenciando a resistência aos cloretos suspensos no ar. Em regiões costeiras, o alumínio comum, por exemplo, pode sofrer um processo chamado corrosão filiforme, onde pequenos filamentos percorrem a pintura, descolando-a e permitindo que o sal ataque o metal diretamente.

Não se trata apenas de limpar mais vezes. A durabilidade depende da especificação correta desde a instalação. Para quem vive próximo à praia, o alumínio anodizado é frequentemente superior ao pintado eletrostaticamente. A anodização cria uma camada de óxido de alumínio integrada ao próprio metal, o que oferece uma proteção muito mais robusta contra a oxidação. Já para ferragens e parafusos, o aço inox de alta graduação — como o 316 — torna-se essencial. Utilizar aço carbono ou ligas inferiores é aceitar que, dentro de pouco tempo, as articulações travarão.

Além disso, o PVC tem ganhado espaço por ser um material inerte. Ele não oxida, o que o torna uma solução eficiente em muitos casos, contanto que o perfil contenha aditivos com proteção contra raios ultravioleta. Sem essa proteção, o sol intenso das áreas litorâneas pode deixar o plástico ressecado e quebradiço com o passar dos anos. Avaliar a qualidade dos selantes e borrachas de vedação também é indispensável, pois o sal resseca esses componentes, gerando infiltrações e ruídos desagradáveis sob ventos fortes.

Muitos proprietários acreditam que a manutenção deve ser reativa, ou seja, apenas quando algo para de funcionar. No litoral, essa estratégia é um erro crasso que quase sempre resulta na troca completa da peça. O protocolo preventivo deve ser focado na remoção física da camada de sal que se deposita nas superfícies. O acúmulo de sujeira e sal cria o ambiente perfeito para que a corrosão se instale sem interrupções.

A limpeza deve ser feita com frequência, utilizando apenas água doce e sabão neutro. Produtos químicos agressivos, como solventes, cloro ou esponjas de aço, são os piores inimigos das esquadrias, pois removem a camada de proteção original e abrem caminho para o ataque da maresia. Além da limpeza das faces visíveis, o cuidado deve se estender aos trilhos e roldanas. O acúmulo de areia misturada com o sal cria uma pasta abrasiva que corrói os trilhos e desgasta as peças móveis. Manter os trilhos limpos e aplicar lubrificantes específicos — de preferência sprays à base de silicone ou teflon, que não atraem poeira — garante a longevidade dos mecanismos de abertura.

Ignorar esses cuidados simples faz com que a maresia avance das esquadrias para a estrutura ao redor, atingindo o reboco e as ferragens embutidas na alvenaria. Aquela janela que hoje emperra pode esconder um desgaste muito mais profundo no marco, tornando a reparação algo complexo. Ao observar os primeiros sinais de fadiga no material, a inspeção deve ser imediata. A prevenção no litoral não é um capricho, mas a única forma de evitar que o sonho da vista para o mar se converta em uma rotina de manutenção corretiva interminável.

https://www.remax.com.br/blog/sbpe-o-que-e-repetido

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